Vale a pena correr riscos?
- Thaís Artagnan

- 14 de abr. de 2020
- 3 min de leitura
Segundo Porto (2000) Risco é o mesmo que possibilidade de dano à saúde.
“A noção de risco tem a ver com a possibilidade de perda ou dano, ou como sinônimo de perigo”(PORTO, 2000, p. 8).
Para Adams (1995) citado por Mundim-Masini (2009), os riscos fazem parte da existência humana em diversos graus de perigo, a relação humana com o risco se baseia no risco e benefício de se enfrentá-lo, sendo que cada indivíduo tem formas particulares de interpretar e encarar os riscos à sua volta.
Para Mundim-Masini (2009) os riscos só valem a pena serem enfrentados caso o sujeito indentifique benefícios compensatórios.
O risco é o preço que deve ser pago para se obter algum benefício (BROMILEY e CURLEY, 1992 apud MUNDIM-MASINI, 2009, p.172).
Evolutivamente os riscos precisaram ser constantemente enfrentados pelos primeiros hominídeos, pois a sobrevivência dos mesmos dependia de suas exposições aos perigos da natureza para poderem se alimentar, acasalar e encontrar abrigos (MUNDIM-MASINI, 2009). “Então, por seleção natural, os genes ligados aos comportamentos de risco tornaram-se comuns e presentes até os dias de hoje” conforme Zuckerman & Kuhlman (2000) citados por Mundim-Masini (2009, p.42).
Os seres humanos apresentam duas formas de compreender o risco:
Sistema Analítico: sistema científico criado pelo ser humano que faz uso de instrumentos para a avaliação de um risco como lógica, cálculos, entre outros.
Sistema Experiencial: sistema intuitivo e natural que está presente desde os primeiros hominídeos, é ligado à sensação, ao sentimento de segurança como, por exemplo, ingerir uma água com cheiro estranho (SLOVIC, FINUCANE, PETERS e MACGREGOR, 2004 citado apud MUNDIM-MASINI, 2009).
Ambos os sistemas atuam em conjunto com suas vantagens, bases e limitações particulares. Inicialmente o sistema experiencial (risco enquanto sentimento) foi adaptativo para a sobrevivência do ser, ele ainda é muito presente e nos ajuda com respostas rápidas aos perigos cotidianos, com a modernidade o sistema analítico (risco enquanto análise) surgiu, possibilitando a racionalização de possíveis eventos danosos. “Quando o “antigo” instinto e a ciência moderna se cruzam, há o surgimento de uma terceira realidade: o risco enquanto política” (MUNDIM-MASINI, 2009, p.68-69).
Mundim-Masini (2009) cita um estudo de Alhakami e Slovic (1994) em que foi percebido que a relação risco e benefício está ligada ao afeto da pessoa com a atividade, ou seja, se determinada atividade agrada um indivíduo este indivíduo tende a avaliá-la como de baixo risco e alto benefício, se a mesma atividade para outro indivíduo não é agradável, o mesmo tende a avaliá-la como de alto risco e baixo benefício. Finucane et al. (2000) conforme citado por Mundim-Masini (2009), indentificou em seu estudo que se o indivíduo perceber tal situação como benéfica este é influenciado a interpretar que a mesma situação produz baixo risco, o contrário também acontece, pois uma característica influencia na outra.
Um ponto interessante é que o sistema experiencial (ou afetivo) favorece que mudanças pequenas no ambiente (um ambiente sem morte que agora tem uma morte) sensibilizem mais o sujeito e o permitem ter melhores respostas do que mudanças grandes (um ambiente com 500 mortes que agora tem 600 mortes) (MUNDIM-MASINI, 2009). Slovic et al. (2004) apud Mundim-Masini (2009, p.81) afirma também que estatísticas de fatalidades não afetam tanto o sujeito quanto o envolvimento afetivo direto, o autor até faz uso de um exemplo:
“Certamente, ‘O Diário de Anne Frank’ explicita o significado do holocausto de maneira mais poderosa do que a estatística de ‘seis milhões de mortes’”.
Embora tenhamos métodos científicos para se analisarem as probabilidades e gravidades dos riscos, seus resultados podem não nos afetar como deveria pela maneira que os mesmos são expostos, que é onde nos tornamos negligentes e suscetíveis ao perigo. Conforme Bauman (2008, p.24) citado por Tavares e Barbosa (2014, p.19)
“nenhum perigo é tão sinistro, nenhuma catástrofe fere tanto quanto as que são vistas como uma probabilidade irrelevante”.
MUNDIM-MASINI, AMANDA ALMEIDA. Fatores de personalidade e percepção de risco podem predizer o comportamento de risco? Um estudo com universitários. Uberlândia. 2009. Disponível em: <https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/17067/1/Amanda.pdf>. Acessado em 12 de abril de 2020.
PORTO, Marcelo Fipo de Souza. Análise de riscos nos locais de trabalho: conhecer para transformar. Cad Saúde Trab [periódico na internet]. 2000. Disponível em: <http://normasregulamentadoras.files.wordpress.com/2008/06/riscos_trabalho.pdf>. Acessado em 13 de abril de 2020.
TAVARES, Luana Marcia Baptista; BARBOSA Fernando Cordeiro. Reflexões sobre a emoção do medo e suas implicações nas ações de defesa civil. Ambient. soc.,São Paulo ,v. 17, n. 4, p. 17-34,Dez.2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-753X2014000400002&lng=en&nrm=iso >. Acessado em 12 de abril de 2020.



Comentários