Placebo
- Thaís Artagnan

- 17 de fev. de 2020
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Placebo é qualquer tratamento que se prescreve dizendo ser um procedimento ou medicamento ativo, contudo, na realidade, não tem ação específica nos sintomas ou doenças do paciente mas de alguma forma, pode causar um efeito no mesmo, assim, o resultado é apenas de natureza psicológica (ROSSI apud PEREIRA & FARNESE, p. 70, 2004).
Segundo Pereira e Farnese (2008) etimologicamente a palavra placebo quer dizer agradar, do latim placere, o que Tostes apud Pereira e Farnese completa (2008) mencionando que a origem do termo traz consigo a crítica de que o placebo tem sua funcionalidade direcionada para o agrado do paciente e não para o seu tratamento.
Sociedades primitivas já faziam uso de placebo na forma de “amuletos, simpatias e superstições”, com o passar dos anos e uso deste recurso grande interesse começou a surgir sobre o efeito placebo, aonde foi se reconhecendo a importância do fenômeno psicológico em torno do efeito (PEREIRA & FARNESE, P. 71, 2008).
Pereira e Farnese (2008) mencionam que o placebo tem um importante papel em pesquisas clinicamente controladas sobre fármacos, especialmente porque, como diz Amaral e Sabbatini apud Pereira e Farnese (2008) os placebos, principalmente os utilizados em psiquiatria, apresentam grande taxa de efeito, isto é porque o placebo pode ser aplicado como um meio de ajuda no tratamento de enfermidades sem os efeitos de um medicamento ativo, pois o placebo é útil como um ativador da auto cura pelo paciente através de meios simbólicos e psicológicos.
“O placebo ativa no cérebro os mesmos circuitos que os analgésicos” (HOLDEN apud PEREIRA & FARNESE, p. 72, 2008).
Porém da mesma maneira que o placebo pode ter efeitos positivos, o mesmo pode apresentar efeitos negativos, neste caso se denomina efeito nocebo, do latim nocere, que tem o significado de causar dano (PEREIRA & FARNESE, 2008).
Entende-se que os efeitos placebo e nocebo ocorrem em coerência com as expectativas dos pacientes, sendo o placebo ligado à expectativa de cura e o nocebo à expectativa de efeitos colaterais (PEREIRA & FARNESE).
Para Baleeiro e Baleeiro apud Pereira e Farnese (p. 74, 2008) algumas condições impactam no funcionamento do placebo: “a expectativa e comportamentos do paciente [...] de seus familiares. A atitude médica [...]. O placebo em si [...]. A interação paciente-médico”. Para os autores o efeito placebo apresenta maiores chances de ocorrer quando há positividade nas expectativas sobre o “medicamento” e nas relações que envolvem o paciente e sua enfermidade, como uma família que também acredita no efeito da substância e no médico que consegue passar a sensação de segurança.
O placebo é conhecido como uma “mentira que cura”, mas existem autores que afirmam que não é preciso enganar o paciente dizendo que a substância inativa se trata de um fármaco real, pois o efeito placebo pode acontecer mesmo com o paciente sendo avisado de que aquela substância não tem propriedades farmacológicas (HORGAN apud PEREIRA & FARNESE, 2008).
Em um estudo de 1965 com quatorze pacientes deprimidos previamente informados que iriam ingerir uma substância completamente inativa todos os participantes apresentaram uma resposta positiva com o uso da substância (PEREIRA & FARNESE, 2008).
É válido citar que o uso do placebo em clínica médica e pesquisas envolvem questões éticas, pois o médico que receita um placebo está ferindo a confiança na relação médico-paciente e quando utilizado em pesquisas os participantes são submetidos a riscos, sendo assim para se aplicar o placebo, independente do contexto, é preciso consultar minimamente a resolução CNS n° 196/96 (USO DO PLACEBO: ASPECTOS BIOÉTICOS apud PEREIRA & FARNESE, 2008).
Algo interessante sobre o tema é que o efeito placebo pode prevalecer sobre o efeito de substâncias ativas que causam danos, pois em um estudo de Brown que foi realizado em 1998, no qual pessoas com asma “inalavam uma névoa composta apenas de alergênicos (substância capaz de produzir alergia) que poderia agravar sua asma, seus pulmões se contraíam mais e aumentava sua dificuldade para respirar. Quando lhes apresentavam a mesma névoa e diziam que continha medicamento antiasmático, os pacientes respiravam com maior facilidade" (HORGAN apud PEREIRA & FARNESE, p. 75, 2008).
Sobre a serventia do placebo Amaral e Sabbatini apud Pereira e Farnese (2008) dizem que não existe uma resposta unânime que explica o efeito, mas existem hipóteses:
Teoria de condicionamento, ou reflexo condicionado de Ivan Pavlov
Segundo Epstein apud Pereira e Farnese (2008) o sujeito que em alguma experiência anterior obteve uma resposta positiva após o uso de um medicamento faz uma ligação deste acontecimento com o novo acontecimento semelhante no qual o estímulo é o placebo.
Sugestionabilidade da pessoa
Stephen apud Pereira e Farnese (2008) diz que as “Pessoas são predispostas a acreditar em coisas de diversas maneiras e em graus variados”, e estas “coisas” podem ser encaradas pelo sistema nervoso central como ameaçadoras ou reparadoras, aonde o organismo irá reagir psiquicamente e organicamente de acordo com a interpretação do fenômeno (CAMPOS apud PEREIRA & FARNESE, p. 76, 2008).
Diminuição da ansiedade
Stephen apud Pereira e Farnese (2008) também diz que o placebo causa a sensação de alívio porque o mesmo diminui a ansiedade do paciente.
Sistema imunológico
Para alguns pesquisadores o corpo pode estar se recuperando naturalmente aonde o placebo pode ser falsamente associado como um contribuinte a esse processo natural (STEPHEN apud PEREIRA & FARNESE, 2008).
Outra explicação é que o placebo se trata de um corpo estranho que quando ingerido provoca que o sistema imunológico responda trabalhando na defesa do organismo (CELESTINO apud PEREIRA & FARNESE, 2008).
PEREIRA, Danilo Assis; FARNESE, Carolina. Efeito placebo, efeito nocebo e psicoterapia: correlações entre os seus fundamentos. Univ. Ci. Saúde, Brasília, v. 2, n. 1, p. 1-151, jan./jun. 2004.



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