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Novo ano, novos hábitos?

  • Foto do escritor: Thaís Artagnan
    Thaís Artagnan
  • 31 de dez. de 2019
  • 3 min de leitura

Este é um texto sobre mudança de hábitos, então vamos começar tentando entender o que é um hábito. Vamos usar a definição dos autores Verplank & Aarts apud Cristo & Günther (2016) no qual os mesmos dizem que hábitos são comportamentos aprendidos a partir de realizações repetidas em um contexto invariável de forma que se tornam espontâneos no cotidiano. Bom, para ilustrar podemos citar alguns exemplos aqui que vão desde o simples hábito dormir de lado até o hábito praticar exercícios regularmente. Mas os autores também complementam dizendo que além da repetição e automaticidade os hábitos também são formados de constância situacional e funcionalidade.


Cristo & Günther (2015 e 2016) frisam sobre como a repetição de determinados comportamentos possibilitam a fixação destes o que os transformam em hábitos. Para os autores a repetição possibilita que roteiros mentais sejam criados, aonde os mesmos são ativados nas circunstâncias iguais ou semelhantes à de seus surgimentos. Independente de o comportamento ser dormir de lado ou praticar exercícios regulares um dia o sujeito teve que aprendê-lo, repeti-lo e se habituar, seja esta atividade demandando mais ou menos esforço.


Para os autores os hábitos são úteis devidos os mesmos serem caracterizados de respostas espontâneas, ou seja, são comportamentos que já não dependem tanto de análises para serem efetuados. Os hábitos nos poupam tempo e esforço, afinal graças ao hábito de sempre virar para a sua direita não é preciso refletir em qual posição você irá deitar. Sobre os exercícios regulares é bem provável que inicialmente o sujeito tenha tido mais dificuldade em realizá-los, afinal, era um hábito inexistente e certamente o indivíduo precisava romper com antigos hábitos, mas na consolidação do mesmo, os exercícios começam a fazer parte do cotidiano do sujeito, o que torna menos custosa a atividade.


A depender do hábito a sua quebra ou a sua consolidação podem ser muito difíceis de serem alcançadas. Segundo o estudo de Cristo & Günther (p. 236, 2015)

alguns autores (Ronis, Yates, & Kirscht. 1989) sugerem que o comportamento torna-se habitual quando repetido frequentemente, pelo menos duas vezes ao mês, e extensivamente, pelo menos 10 vezes. [...]Lally, van Jaarsveld, Potts e Wardle (2010), por sua vez, sugerem entre 18 e 254 dias de repetição, dependendo da complexidade do comportamento.

Mas Cristo & Günther (2015) complementam dizendo que embora a repetição seja um fator essencial para a consolidação de um hábito, é extremamente difícil determinar um número X de repetições a serem realizadas até que o comportamento se torne um hábito, afinal cada comportamento tem suas complexidades e, principalmente, cada indivíduo tem suas facilidades e dificuldades frente a variados tipos de comportamentos.

É possível romper e construir hábitos, mas a conquista de tais objetivos sempre irá variar do tipo de mudança e do sujeito.


Não há uma fórmula de mudança de hábitos, o que existe é:

  • Autoconhecimento: ter conhecimento de quais hábitos deseja mudar;

  • Ação: começar a colocar em prática o novo comportamento;

  • Dedicação: repetir o novo comportamento com frequência e,

  • Fortalecimento do novo hábito: após a consolidação é preciso procurar manter a frequência do novo hábito a fim de que sejam menores as chances do mesmo se extinguir em situações adversas.

Lembrando que ao determinar as metas de instauração de novos comportamentos é preciso se atentar para que os comportamentos sejam possíveis de serem realizados dentro da realidade do sujeito, mesmo que as metas aparentem serem “fáceis”.


Também é válido enfatizar que há situações patológicas que precisam da atenção de profissionais da saúde.

CRISTO, F. & GÜNTHER, H. Como Medir o Hábito? Evidências de Validade de um Índice de Autorrelato. Brasília, Vol. 32 n. 2, pp. 1-9, abr.-jun. 2016. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/0102-3772e322224>. Acessado em 31 de Dezembro de 2019.

CRISTO, F. & GÜNTHER, H. Hábito: Por que Devemos Estudá-lo e o que Podemos Fazer? Porto Alegre, v. 46, n. 2, pp. 233-242, abr.-jun. 2015. Disponível em: < http://dx.doi.org/10.15448/1980-8623.2015.2.17816h>. Acessado em 30 de Dezembro de 2019.


 
 
 

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