Dissonância Cognitiva
- Thaís Artagnan

- 4 de fev. de 2020
- 2 min de leitura
Segundo o autor D. DiSalvo apud Fernandez (2015) nosso cérebro vive sob uma dieta (também denominada de "Princípio da consistência") que se baseia em estabilidade, certeza e consistência, embora nossas mentes não sejam "sistemas cognitivos ideais".
Grande parte do mundo externo a nós não está em nosso poder de controle, o que muitas vezes nos gera, por consequência, desgosto, frustração, entre outras sensações desagradáveis, pois “a realidade não tem nem a mais ligeira obrigação de ser amigável ou reconfortante com nossas ideias, desejos, preferências e identidades” (FERNANDEZ, 2015). Diante de nossa falta de domínio sobre tantas situações, recorremos à saídas internas que confrontam esta realidade externa na busca de equilibrarmos a “dieta” do cérebro.
Mas o que são estas saídas internas? Vamos com um exemplo:
José é fumante.
O cigarro costuma causar graves complicações de saúde. (Situação externa que não está no controle de José, pois José não tem o poder de alterar a fórmula de seu cigarro)
José tem conhecimento de que seu hábito de fumar pode prejudicar sua saúde.
José sente muito prazer em fumar.
José não quer ficar doente e não quer deixar de fumar.
José diz que fumando ou não todos irão morrer um dia. (Saída interna para a situação externa incontrolável)
Talvez você esteja com algumas perguntas a respeito da situação de José, mas antes de falarmos de José, vamos entender melhor o que significa o termo do título deste texto.
Dissonância cognitiva é uma experiência que enfrentamos quando percebemos apresentarmos duas ou mais forças contraditórias.
Segundo Fernandez (2015) esta experiência nos causa sofrimento, como "ansiedade, angústia, sentimento de culpabilidade e vergonha" e a partir desta consequência investimos grandemente em alguma maneira de diminuir ou eliminar a Dissonância.
José é fumante.
O cigarro costuma causar graves complicações de saúde. (Situação externa)
José tem conhecimento de que seu hábito de fumar pode prejudicar sua saúde. (Força 1 de José)
José sente muito prazer em fumar. (Força 2 de José)
José não quer ficar doente e não quer deixar de fumar. (As duas forças são opostas - ferem o Princípio da consistência)
José diz que fumando ou não todos irão morrer um dia. (Saída interna – diminuição da dissonância)
Neste exemplo a saída interna de José foi a citação de uma autojustificativa, a criação de uma nova ideia na tentativa de equilibrar as duas forças inconsistentes, mas as saídas internas podem ter variadas formas.
As saídas internas podem serem baseadas em conclusões tanto racionais quanto irracionais, pois o importante é ter uma saída, independente de sua qualidade, porém o que é mais recorrente e fácil em casos de Dissonância Cognitiva é a alteração ou criação de formas de pensar, de valores e de desejos ao invés da transformação de atitudes e hábitos (FERNANDEZ, 2015).
* O exemplo utilizado com o fumante e também o uso da fábula da Raposa e as Uvas (utilizada nos posts das redes Instagram e Facebook) ambos foram inspirados em exemplos utilizados pela própria autora em seu artigo.
FERNANDEZ, A. Dissonância cognitiva, autoengano e ignorância autoimposta. SP: Rev. Empório do Direito, 2015. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/275015481_Dissonancia_cognitiva_autoengano_e_ignorancia_autoimposta_Parte_2?fbclid=IwAR34OuysWvd-mJn89iLgyjKNnMoxNGpuNsHVf5QNMU1tlK-CHI7Y2xnmnZg>. Acessado em 02 de Fevereiro de 2020.



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