Autocompaixão
- Thaís Artagnan

- 12 de mai. de 2020
- 3 min de leitura
A autocompaixão é uma atitude que envolve sentimentos de bondade, de compreensão e de autoaceitação de si próprio, assim como o reconhecimento do seu próprio sofrimento/dor e a aceitação das falhas e erros enquanto parte da condição humana (NELF, 2003 apud SERRÃO e ALVES, 2018)
De acordo com o psicólogo Paul Gilbert, fundador da Terapia Focada na Compaixão, a psicologia evolucionista e a neurologia afetiva têm um grande papel em conceituar a compaixão e a autocompaixão, pois este tipo de afeto é decorrente da sobrevivência e reprodução das espécies que prevaleceu, na história evolutiva, sobre grupos sociais fraternos, em que os membros cuidam e protegem uns aos outros. Estas capacidades de mentalização social, conforme o psicólogo cita, também são utilizadas de modo intrapessoal, no qual a autocompaixão também poderia ser entendida como o indivíduo buscando recursos de cuidado em si mesmo para cuidar de suas próprias dores (NONNENMACHER e PUREZA, 2019).
Segundo a psicóloga Kristin Neff a compaixão também possui origens no evolucionismo e cita três qualidades neste afeto:
Autogentileza: Cuidado, proteção e acolhimento consigo mesmo; oposto de autocrítica e autojulgamento (NEFF e DAVIDSON, 2016 apud NONNENMACHER e PUREZA, 2019).
Humanidade: Entendimento de que a dor e as limitações fazem parte do ser humano (NEFF e DAHM, 2015 apud NONNENMACHER e PUREZA, 2019).
Mindfulness: Capacidade de se manter no presente e de vivenciá-lo (NEFF e DAVIDSON, 2016 apud NONNENMACHER e PUREZA, 2019).
Para desenvolver autocompaixão é preciso ter acesso a experiências afetuosas e de amparo (GILBERT, 2014; BOWBLY, 1997; BAUMEISTER e LEARY, 1995; MIKULINCER et al., 20009 apud NONNENMACHER e PUREZA, 2019), pois este tipo de experiência fortalece afetos agradáveis, de pertencimento e de cuidado devido a estimulação de certos sistemas neurofisiológicos (DEPUE e MORRONE-STRUPINSKY, 2005; GILBERT, 2009; MIKULINCER et al., 2009; PORGES e CARTER, 2011, apud NONNENMACHER e PUREZA, 2019).
Os hominídeos em grupos foram propícios para que os atributos da compaixão fossem desenvolvidas, isto porque os grupos fornecem mais segurança aos seus membros, Nonnenmacher e Pureza (2019) discorrem, a partir de outros estudos, como o sujeito que vivencia um ambiente considerado pelo mesmo como seguro tende a apresentar características mais saudáveis como satisfação com a vida (SATICI et al., 2016 apud NONNENMACHER e PUREZA, 2019), autenticidade (SATICI et al., 2013 apud NONNENMACHER e PUREZA, 2019) e apreciação corporal (OLIVEIRA et al., 2016 apud NONNENMACHER e PUREZA, 2019). Já indivíduos que vivenciam ambientes considerados pelos mesmos como inseguros e pouco ou nada afetuosos tendem a apresentar características como maior vergonha (SILVA et al., 2019 apud NONNENMACHER e PUREZA, 2019), autocriticismo (KELY et al., 2012 apud NONNENMACHER e PUREZA, 2019), ansiedade, depressão, estresse (MCKWAN et al., 2012 apud NONNENMACHER e PUREZA, 2019), percepção de inferioridade, ansiedade social (GILBERT et al., 2009; RICHTER et al., 2009; ALAVI et al., 2017 apud NONNENMACHER e PUREZA, 2019) dificuldade em aceitar a compaixão dos outros consigo e dificuldade de ser autocompassivo (KELLY e DUPASQUIER, 2016; GILBERT et al., 2014; SILVA et al., 2019 apud NONNENMACHER e PUREZA, 2019).
NONNENMACHER, C. A. D.; PUREZA, J. da R. As relações entre a autocompaixão, a ansiedade social e a segurança social. Contextos Clínic [online]. 2019, vol.12, n.3, pp. 1000-1027. ISSN 1983-3482. Disponível em < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-34822019000300015&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt>. Acessado em 12 de maio de 2020.
SERRAO, C.; ALVES, S. Exploração da autocompaixão no contexto de um programa de mindfulness-based cognitive therapy. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, Porto, n. spe6, p. 85-91, nov. 2018. Disponível em <http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1647-21602018000200013&lng=pt&nrm=iso>. Acessado em 12 de maio de 2020.



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